quarta-feira, 16 de agosto de 2017

O PROJETO DH E MEDIAÇÕES CULTURAIS DA UNISUL LEVA SOKHRATES A ALDEIA.

A visita ao Revitalizando Culturas pelo naturólogo Gustavo Lanza formado na Unisul e também profissional de Relações Internacionais, no dia 08 de agosto de 2017, fortaleceu  nosso olhar local sobre o indigenismo e suas necessidades para uma experiência de irradiação mundial.
O naturólogo nos convidou para reunião no dia seguinte na sala do Projeto AEIOU no campus Pedra Branca da Unisul. Tivemos a satisfação e a surpresa de conhecer o fundador Rosario Scuteri,  a equipe da Rede Social Sokhrates – Marta Esteban; Raxi Deaxmar e o gerente brasileiro Rodolpho Schlickmann.
Ficou clara a boa notícia de que Sokhrates  é uma inédita Rede Social que só existe para animação das causas solidárias com os seres humanos em situação de sofrimento, abandono, especialmente crianças e a solidariedade socioambiental. Quando Myriam Righetto falou de nossas lutas solidárias com os povos  indígenas e outros eles vibraram propondo-nos seu apoio. Era noite de 09 de agosto, por coincidência o Dia Internacional dos Povos Indígenas.
Nesse contexto de efeito-supresa e de emoção, agendou-se a visita ao povo Guarani no Centro Cultural Tataendy Rupá, junto da aldeia sagrada do Morro dos Cavalos, em 72 horas.


 Na tarde de sábado, 12 de agosto,  nossa equipe do Revitalizando Culturas e do Instituto Homo Serviens prof. Jaci Gonçalves, a voluntária Dra. Myriam Righetto, o contador voluntário Ivo Silva Junior , junto das alunas da Unisul Pedra Branca, Bianca Taranti, a assessora de Jornalismo aluna da 4º fase de Comunicação Social, Alexia Ferreira de Oliveira estagiária do Projeto Direitos Humanos e Mediações Culturais e Ana Luiza Sicari, voluntária do curso de Naturologia, visitou a aldeia Yyakã Porã na parte norte da Terra Indígena do Morro dos Cavalos.
Depois fomos ao Centro Cultural Tataendy Rupá e mediamos o prometido Encontro Internacional da Rede Social Sokhrates com o povo guarani-mbyá coordenados por Marcos Karaí, Presidente da Organização do Indígenas Guarani de todo Brasil e a jovem cacique Elizete Antunes.
Na serena roda de conversa, tivemos a alegria de ver reafirmada a proposta da Rede Social Sokhrates como investimento em favor de missões biocráticas como  costumamos chamar no Revitalizando Cultural, ou seja, de cuidados essenciais com a defesa da vida humana e outras expressões de vida.
Sarah Orviedo, indígena ex- vice-presidente da ONU no tratamento da questão indígena internacional especialmente crianças confirmou a importância do espírito Sokhrates em acreditar na força do post feito pelos usuários nesta Rede Social semelhante ao Facebook. Em cada clique, o usuário estará investindo em todas essas obras porque 70% ficarão para este investimento e apenas 30% ficarão para a sociedade e também para os gastos da empresa.
Além de firmar com os Guarani um apoio imediato para o enfrentamento com todos os povos originários do Brasil participando da pressão moral sobre o supremo STF – Supremo Tribunal Federal na questão urgentíssima do Não ao Marcotemporal, também tivemos a alegria de ver confirmada a aliança para que no mais tardar em fevereiro de 2018 tenhamos o 2º Congresso Internacional Revitalizando Culturas sobre Indigenísmo no 10º aniversário da Declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas e os 70 anos dos Direitos Humanos.



Texto – Alexia Ferreira de Oliveira e Bianca Taranti
Supervisão – Prof. Dr. Jaci Rocha Gonçalves



terça-feira, 15 de agosto de 2017

INDÍGENAS PEDEM SOCORRO.

No sábado, 12 de agosto de 2017, aconteceu importante encontro de Rosario, fundador  da Rede Social Sokhrates, sua equipe e Sara Orviedo, vice-presidente do Comitê dos Direitos das Crianças da ONU com as lideranças indígenas guarani no Centro Cultural Tataendy Rupá na aldeia Itaty do Morro dos Cavalos em Palhoça. Estiveram presentes também o professor Jaci Gonçalves, presidente do Instituto Homo Serviens e coordenador do Revitalizando Culturas, da Unisul.
Durante o ritual do Petynguá (ritual de espiritualidade indígena)  os líderes Marcos Moreira Karaí e a cacique Elizete Antunes falaram sobre a dificuldade que os povos indígenas estão enfrentando em relação ao Marco Temporal que será votado amanhã dia 16 de agosto de 2017 no Supremo Tribunal Federal (STF).


Na foto representantes internacionais da rede Sokhrates participam do ritual Petynguá na aldeia Itaty do Morro dos Cavalos, Palhoça (SC)

O Marco Temporal consiste no estabelecimento da promulgação da Constituição (05.10.1988) que teria como referência a ocupação dos  indígenas para a demarcação das terras. Desde 2010 a Bancada Ruralista teima em pressionar o judiciário para votar o Marco Temporal. Os guarani explicaram que esse tema é mais uma manobra política favorável aos interesses dos latifundiários no uso terras indígenas, quilombolas e ligadas a preservação ambiental. Essas terras são protegidas pela União Federal sobretudo a partir da Constituição Brasileira de 1988  que exigia que a demarcação das terras indígenas fosse até 1993. Essa dívida e, portanto, antiga e nunca foi resolvida pelo governo federal.

Vale a pena conferir os testemunhos dos indígenas e do filósofo prof Jaci Gonçalves veiculados pela Sokhrates. Você pode fazer seu tweet para o @STF_oficial apoiando essa causa urgente.  #NaoAoMarcoTemporal #RespectIndigenousLand

Texto e fotos de Bianca Taranti.

sábado, 15 de julho de 2017

Nota 10 para o 10° UniDiversidade. (2)

7º Espiritualidades – Estética e ethos

O tema ‘estética a serviço da ética’ perpassou as cinco exposições de esculturas, pinturas, fotografias nos corredores dos blocos B e C e sob a grande faixa erguida no espaço dos restaurantes e lojas do Shopping Acadêmico da UNISUL Pedra Branca.

Foto de Morgana Pes
Como veículo animador da vida acadêmica, o 10º UniDiversidade promoveu nos primeiros dias do 7º Espiritualidades a exposição Nosso Corpo, de esculturas com poesias de acadêmicos/as de Naturologia. Já a exposição Nosso ethos pós-moderno de estudantes do 2º ciclo de Publicidade e Propaganda trouxe a visão sobre o jeito de ser – ethos - e expectativas sobre o colega na forma de produção para outdoor.  Foi completada pela exposição Biopolítica- dando rosto aos números, que deu cara a situações humanas e ecológicas reduzidas à frieza das estatísticas.




Assim as produções da antiga sala de aula tiveram como vitrine toda a comunidade acadêmica, visitas e vizinhança que freqüentam a UNISUL Pedra Branca. Essas produções revelam a esperança da Geração Milênio. Professor Jaci, um dos animadores do 7º Espiritualidades, comenta: “é esperançoso constatar que a massa cinzenta crítico-criativa da Geração Y se revela também com sensibilidade solidária e pluralista nas exposições. É uma forma de medir sua espiritualidade na forma de estética.’’ 





Fotos de Bianca Taranti
Emocionante também as exposições fotográficas Conexões Sociais e Ethos Cultural dos acadêmicos de Comunicação Social orientados pelos professores mestres Robertos (Svolenski e Forlin). Elas se inspiraram nos temas de responsabilidade social e direitos socioambientais.  Bianca Taranti, resume sua emoção como aprendiz de fotografia, ao perceber que ainda era forte a autoestima naqueles cidadãos de rua quando insistiram – “você vai me mandar a foto, não vai? Faço questão de voltar e cumprir minha promessa,” concluiu Bianca.



Coincidência ou graça, o 10º UniDiversidade abraçou o evento Junho Verde na UnisulVirtual que trouxe a presença de dois representantes da PROCREP, Moisés e Maria Aparecida, casal representante de recicladores agradecidos pela coleta de papel que ajuda a manter cerca de 30 famílias com reciclagem de resíduos e biodiesel.

Palco livre – Restaurantes universitários do Shopping Acadêmico




Participantes voluntários utilizaram o Palco Livre com execuções de instrumentais e cantorias para animar o final de semestre entre os academicos da UNISUL PEDRA BRANCA no 7º Espiritualidades.








quinta-feira, 13 de julho de 2017

Nota 10 para o 10° Unidiversidade

‘Diálogos Culturais’ estréia sobre África

Foram intensos 20 dias da 10ª versão do UniDiversidade nos campi Unisul Presencial Norte e UnisulVirtual.
Sob a provocação temática do slogan ‘Diferença é riqueza. Desigualdade é miséria’, o debate inaugural foi com o mestre e jornalista Pedro Santos, professor da UNISUL que deu a largada em Diálogos Culturais, sessão permanente de discussões sobre a diferença como riqueza, tematizando a África: educação e culturas.

O sociólogo africano mostrou várias contribuições científicas africanas à humanidade – desde as sabedorias de convivência no deserto às soluções para viagens interplanetárias na NASA por cientistas africanos. As reflexões surpreenderam os presentes.

A íntegra do debate com Santos está editada pela equipe UnisulVirtual no link http://webconferencia.unisul.br/g/174/46ead33922e3464a2a82a38145fdd01728d8bef1-1498163821370. O serviço ocorreu graças aos esforços unidos do Projeto Direitos humanos e Mediações Culturais, do Campus Norte, coordenado pelo Prof. Dr Jaci Rocha Gonçalves, Profa. Dra. Darlene Moraes e Profa. Dra. Danielle Espezim e o Programa “Unisul Mais Cidadania” do campus UnisulVirtual, coordenado pelo Prof. Ms. Carlos Euclides Marques.
Alguns dos participantes da estréia de 
DIÁLOGOS CULTURAIS no 10º UniDiversidade. 

Além de acadêmicos e professores de vários cursos da Unisul, aproveitaram desta temática transversal acadêmicos da Faculdade Municipal de Palhoça que preparam sua extensão em Guiné Bissau, na África, com outras pessoas da comunidade palhocense.






 
Jaci Gonçalves, Arthur Emmanuel Silveira, Pedro Santos e Carlos Euclides Marques (da esquerda para a direita), após a estreia de Diálogos Culturais no 10º UniDiversidade. 


TEXTO: William de Souza Ávila, voluntário Art. 170, acadêmico de Direito.
FOTOS: Alexia Oliveira, acadêmico de Naturologia.
SUPERVISÃO: Jaci Rocha Gonçalves, coordenador do Revitalizando Culturas.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

7º Espiritualidades: Danças circulares no equinócio do Junho Verde

O 7º Espiritualidades foi inaugurado em 21 de junho de 2017 no equinócio de outono junto com a Semana de Naturologia, o movimento Junho Verde e o Programa Revitalizando Culturas.

No terceiro dia, 23 de junho, o restaurante da UNISUL Pedra Branca visibilizou a Exposição “Nosso corpo – uma experiência de presença”  com esculturas de acadêmicas/os de Naturologia da Unidade de Aprendizagem de Naturologia Ateliê Recursos Expressivos ministrada pela  Profa. Ms. Joana Anschau Roman.


Jaqueline Alves Leal, Naturóloga, egressa da UNISUL e focalizadora convidada, animou uma grande roda com Danças circulares sagradas na festa do Tributo à Mãe Terra nos jardins da UNISUL com a presença do coordenador Daniel e do prof Jaci Gonçalves.  “Foi comovente voltar aqui para essa sinergia renovada”, disse Jaqueline. O sol brilhou forte nesta sexta-feira com sabor de equinócio, quando dia e noite se igualam na dança das horas.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

25 Anos de Leandro: cidadania exigente


Obrigado Leandro pelo convite, obrigado pelo bolo delicioso feito com capricho lá na sua terra natal. A presença de sua mãe, a presença do pessoal que na universidade trabalha com as pessoas com deficiência. Um trabalho que você e seus colegas conhecem; um trabalho de bastidor, daqueles que não aparecem, mas que são serviços de esteio para que brilhe o direito de cidadania.

Participar com você de nossos grupos de universitários voluntários da Unisul, significa estar com alguém que nos ensina a arte do respeito pelos seres humanos e, sobretudo sua presença de estudante de direito e de pessoa qualificada em trabalhos de designer, mostra que nossa sociedade democrática tem esperança.

Isto porque você nos ensina que é preciso reivindicar respeito e qualificação de serviços com insistência para que a dignidade de todos e de todas as pessoas seja vivido na prática.


Cantamos com os votos de parabéns, o famoso refrão de Gonzaguinha “viver e não ter a vergonha de ser feliz”, com o direito “de ser eterno aprendiz”. Está aí um roteiro para seus próximos 25 anos.

Parabéns, mais uma vez e obrigado por você existir com esse jeito participativo no meio de nós.

Professor Dr. Jaci Rocha Gonçalves 

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Conversas, conselhos e decisões na Aldeia ITATY


Na tarde da última segunda (12/06), membros do Revitalizando Culturas estiveram reunidos com indígenas no Centro de Formação Tataendy Rupá. O professor Jaci Rocha Gonçalves esteve com a voluntária Myriam Righetto e os estagiários Danilo e Leonardo em debates sobre os próximos eventos organizados pelo grupo.
Também foram à aldeia duas alunas da psicologia, Aline e Maria Eduarda da Unidade Trajano da Unisul, para conhecer a aldeia e fazer um primeiro contato para um possível projeto acadêmico.

Kerexu Yxapyry, Marcos Morreira, Karaí Antunes, Jaxuka Mariano e Wasa’i Mawe expuseram um pouco da situação da escola indígena Itaty, que segue sem diretoria formal pela Secretaria de Educação. Também opinaram e sugeriram nomes para os seguimentos de assuntos do 2º Congresso Internacional Revitalizando Culturas, que está em stand-by após um indeferimento da Capes, para quem já foi enviado recurso na esperança de mudar esta negativa.

Não desanimando jamais, vamos em frente.

Leonardo Santos
Estagiário Revitalizando Culturas
Orientação: Professor Dr. Jaci Rocha Gonçalves

Demarcação Aldeia Tarumã!

É um imenso calvário até conseguir cada demarcação nos estados brasileiros. Essa aldeia catarinense está plantada bem no famoso Caminho do Peabiru. De muitos pontos do Atlântico, o povo guarani caminhava por essas trilhas sagradas até os Andes e o Pacífico.
Está mais que na hora de quem segue o Cristo do Calvário em Santa Catarina, dizer BASTA a tanta dor desnecessária.
Assim, o CRISTO RESSUSCITADO volta a sorrir em cada rosto desse povo acolhedor e pacífico.


quinta-feira, 1 de junho de 2017

Professora de Cinema UNISUL é premiada na Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil

A professora Dilma Juliano, do curso de Cinema UNISUL e da pós-graduação em Ciências da Linguagem da UNISUL, junto com as professoras Eliane Debus e Nelita Bortolotto, organizou a coletânea “Literatura infantil e juvenil: do literário a outras manifestações estéticas”, premiada pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) como melhor livro de escopo teórico de 2016.

"A coletânea é fruto do trabalho incansável das docentes em torno do desenvolvimento da literatura infantil e juvenil e me sinto particularmente orgulhoso por nosso Programa ter apoiado essa iniciativa, incluindo a diagramação dos Cadernos de Resumos e Anais dos 'Seminários de Literatura Infantil e Juvenil – SILIJ' de 2016, 2014, 2012 e 2009", diz o professor Fábio Rauen, coordenador do programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem.

Publicado originalmente em https://cinemaunisul.blogspot.com.br/2017/05/professora-de-cinema-unisul-e-premiada.html

terça-feira, 30 de maio de 2017

Cinesocial apresentou curtas de alunos de Cinema

Com o intuito de ampliar o olhar para as possibilidades de abordagens e posturas profissionais da comunidade acadêmica, no cenário da comunidade em que a Universidade está inserida, o Centro Acadêmico de Naturologia, junto com a professora Darlene De Moraes Silveira e alunos do curso de Serviço Social organizaram o Cinesocial. O evento promovido no dia 23 de maio apresentou três curtas metragens e foi mediado pelo Projeto de Extensão: Mediação de Culturas e Direitos Humanos.
O projeto Mediações Culturais e Direitos Humanos pode beneficiar diferentes cursos de graduação na visão do professor Jaci Rocha Gonçalves. Ele diz que no mês de junho será realizado outro projeto diferenciado, o Diálogos Culturais sobre Africanidades. “Mas essa noite de hoje em particular representa uma afirmação do protagonismo e da inter formação que o aluno pode fazer acontecer na Universidade. Esse é um momento em que se recebe e também se troca. Se afirma aquilo que acreditamos, estudamos e observamos como fundamento. Não só para pessoa, mas para coletividade. Então essa afirmação de uma nova postura do cidadão universitário”, contextualiza.
Entre os filmes apresentados está o do aluno da quinta fase de Cinema, Leandro Cordeiro. Ele dirigiu o curta ‘Eu volto ao lado deles’, que já foi exibido na TVT, em São Paulo, teve estreia no Festival Forumdoc BH, passou no Festival Universitário de Belém, no Pará. E foi exibido pela primeira vez na Unisul. “O professor Daniel Izidoro me apresentou a família do Almirenio. Então era uma época que o bloco c estava cheio de arte, de quadros e tinha uma sequência de quadros com mascaras que remitiam rostos africanos. E daí eu perguntei para ele quem tinha feito, porque eu achei incrível a expressão artística daquela obra. Ele falou é o Almirenio e daí eu falei vamos lá, vamos conhecer ele”, relembra.
No início, Leandro pensava em fazer um filme sobre as obras do Almirenio. Ele como artista, mas depois que conheceu sua família, mudou de ideia. “Eu me apaixonei pela família de uma forma que eu pensei que o filme precisava ser sobre a família. Sobre acesso à educação, a questão migrante da Bahia até São Paulo, de São Paulo para cá. Então esse fator social me encantou digamos, me chamou muita atenção. E eu fiquei mais ou menos uns dois meses indo na casa deles, conversando, criando intimidade e hoje eles são meus amigos”, conta.
Já o aluno da terceira fase, Rodrigo Ribeiro dirigiu os curtas ‘Entre nós’ e ‘Minuto Rosselini’. Em ambos os filmes, a presença negra fica evidenciada. “Um é inspirado no neorrealismo italiano da década de 60. Eu trouxe para essa visão mais brasileira que era uma garota negra vendedora de balas transitando pelo museu Cruz e Souza. E o outro a mesma coisa que tinha toda uma temática mais engessada da Universidade e eu quis trazer para esse recorte também racial, retratando as bonecas abayomis, de um quilombo”, conclui.
O professor Jaci diz que o Cinesocial tem uma riqueza endocultural em que se afirmam os valores que estão sendo construídos. “Os filmes dessa noite foram feitos por nosso Para o professor Jaci, o evento foi um momento de revolução, pois mostrou aquilo que não se mostrava, que nos faz acostumar com o tipo de estética que deixamos de lado. “Foi lembrado aqui no debate pelos próprios cineastas jovens o quanto de ausência tem da negritude afro-brasileira nas nossas telenovelas e na nossa publicidade e propaganda. Então a grande ausência daquele que é o maior habitante do Brasil. Porque o Brasil ele é negro, ele é pardo, é mestiço e é a segunda nação mais negra do mundo”, complementa.
Em termos de conteúdo teve uma coisa que chamou a atenção do professor, que foi a presença da EAD, que foi acolher o virtuoso para levar para o virtual, uma forma de que as criações podem ser levadas a qualquer espaço. “Então a UnisulVirtual transmitir para seus alunos foi muito proveitoso”, diz Jaci.

Publicado Originalmente em 
25 de Maio de 2017 
Unisul Hoje

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Nosso Congresso e o funeral de Augusto, velho sábio

Na tarde de terça feira, 9 de maio, o professor Dr. Jaci Rocha Gonçalves acompanhado dos estagiários Danilo Garcia e Leonardo Santos e da advogada voluntária do Revitalizando Culturas, Myriam Righetto, estiveram na aldeia Mbyá-Guarani do Morro dos Cavalos para encaminhar o 2º Congresso Internacional Revitalizando Culturas sobre Indigenismo e a 14ª Semana Cultural Indígena na Unisul campus Norte.

Mesmo com o compromisso de Audiência Pública das lideranças guaranis, o trabalho não foi interrompido. Foram apresentados modelos de cartaz e arte para toda a propaganda do evento, bem como as recomendações dos indígenas sobre os componentes do Comitê Científico e Comissão Organizadora.

Na chegada da equipe Revitalizando Culturas, o comunicado de que o sepultamento do Xeramõi de Imaruim, Augusto, havia sido pela manhã. Ele foi ao encontro de Nhanderu (Deus). Aweté (Deus abençoe!). 

Leonardo Santos
Estagiário Revitalizando Culturas

Professor Jaci Rocha Gonçalves e Xeramõi Augusto
Foto: Arquivo Revitalizando Culturas
O professor Jaci deixou esse recado sobre seu velho amigo:

Até logo, Velho Índio Sonhador

Visível no semblante de todos o sentimento de perda e reverência. De fato, Augusto da Silva Karaí Tataendy foi, de certa forma, o Moisés para as comunidades guarani de Santa Catarina. Foi ele quem soube escutar Nhanderu em sonhos que lhe pedia reavivar alguns espaços sagrados para seu povo querido em Santa Catarina.

Certa vez, na aldeia Marangatu, de Imaruí, o Karaí descreveu seu caminho onírico em pormenores para mestrandos de Saúde Pública da Unisul. Contou que saíra do Paraná há 50 anos em direção a Missiones, na Argentina; depois de cerca de duas décadas caminhou para o Oeste do Rio Grande e periferia de Porto Alegre.

Era por volta de 1991, quando tive a honra de conhecê-lo acampando com seu povo num pequeno espaço em Terra Fraca, às margens da 282, em Palhoça (SC). Inesquecível o momento de concretização do sonho quando em 31 de dezembro de 1993 declarou emocionado na TV sua gratidão a uma juíza de Palhoça por devolver 11hectares no vale do Maciambu a seu povo. “Agradeço a sra. Juíza porque a gente só precisa mesmo de uma ‘terrinha’ prá morar, trabalhar e rezar. O sonho de Nhanderu (Deus) já está se realizando. Aweté, Nhanderu!”

Após a recuperação do Morro dos Cavalos, foi para a aldeia de Marangatu (Lugar do Sonho) onde vivia há mais de 20 anos em Imaruí (SC). De sonho em sonho, o Moisés guarani, continua vivo como símbolo de fé, entrega e sabedoria. Obrigado, guerreiro da paz! Suas lembranças numerosas reanimam nossos passos e de seu povo no caminho em busca da Terra Sem Males.  

Professor Dr. Jaci Rocha Gonçalves

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Os Novos Agentes do 170

Na noite da última terça feira (02 de maio), a sala 121B do Campus Pedra Branca da Unisul recebeu os novos extensionitas do artigo 170 que prestarão suas horas de trabalho junto às comunidades bem como extensionistas voluntários.

Foi o primeiro encontro de jovens estudantes  que participam do Projeto Transversal de Extensão  “Direitos Humanos e  Mediações Culturais”, do Programa Revitalizando Culturas, da UNISUL. São provenientes dos cursos de Direito, Serviço Social, Naturologia, Engenharia Civil, Elétrica, Gastronomia, Enfermagem, Jornalismo, Publicidade e Propaganda,


O Professor Dr. Jaci Rocha Gonçalves com auxílio de suas estagiárias Morgana e Alexia, organizou exposição em banners, cartazes e vídeos dos trabalhos já realizados no decorrer dos anos no UniDiversidade, Lixo Zero, Negritudes, Congresso Internacional e outros eventos.


A professora Dra. Darlene de Moraes também contou sobre os trabalhos pretendidos junto ao Fórum Permanente das Comunidades do Brejaru e da Frei Damião e do Instituto João Paulo II, da Ponte de Imaruim. 

Foi lembrada ainda a presença da profª. Dra. Daniela Espezim que fechou acordos de atividades dos extensionistas nos trabalhos solidários do Instituto Vilson Groh (IVG) com estudantes das Unidades Trajano e Dib Mussi.


Após a exposição e conversa,  Jaci encerrou tocando o refrão da música “Seremos iguais”, que você confere no vídeo abaixo, com o refrão: “E todos seremos iguais, o dia é a gente que faz. Quem planta a justiça refaz a história da vida e da paz.”

video


Leonardo Santos
Orientação: Prof. Dr. Jaci Rocha Gonçalves

terça-feira, 25 de abril de 2017

Indígenas de Palhoça na capital do país

Leonardo Santos*

Começou na segunda feira (24) o Acampamento Terra Livre (ATL) em Brasília na Praça dos Três Poderes. Estima-se que cerca de 1,5 mil lideranças indígenas de todo território nacional passem por lá até o dia 28 de abril. O ATL 2017 está sendo promovido pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), que tem tido reuniões com auxilio tecnológico via whatsapp. O apoio também vem das organizações indígenas, indigenistas, da sociedade civil e movimentos sociais organizados.

De Santa Catarina, via ônibus, 30 lideranças indígenas guarani e kaingang partiram para Brasília no ATL. Como não poderia deixar de ocorrer, nossos colegas do Morro dos Cavalos e de Imaruí de Laguna também se fazem presentes. No facebook, publicações de fotos encontrando os colegas ilustram as “timelines” de Kerexu Yxapyry (Eunice), Wasa’I Mawe (Wesley) e Elizandro Karaí Antunes. 
Da esquerda para direita
Kerexu Yxapyry, Wasa'i Mawe e Elizandro Karaí Antunes
Estão acontecendo marchas, atos públicos, audiências com os três poderes, debates, palestras, grupos de discussão e atividades culturais. Nas pautas da mobilização, o principal assunto é a paralisação das demarcações de terras indígenas; entretanto, também serão debatidos empreendimentos que impactam de forma negativa nos territórios indígenas como desvalorização da saúde e educação indígenas diferenciadas.

Na tarde de terça feira, a polícia e os indígenas entraram em confronto. Foram usadas armas com gás de pimenta e balas de borracha para afastar os manifestantes originários, conforme testemunho de Marcos Morreira Karaí, presidente do Conselho de Caciques Guarani de Santa Catarina, à coordenação do Programa Revitalizando Culturas da Unisul.


                                                                                                                    *(Estagiário Revitalizando Culturas)

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Xondaro (jovens) Guarani e a eficiência tecnológica.

Leonardo Santos

A 12ª Semana Cultural Indígena XONDARO MBARAETE REKO (XONDARO e suas resistências)  teve sucesso. Organizada pelos guarani na realização e na divulgação do evento, com auxílio mínimo do Grupo de Ensino, Pesquisa e Extensão Revitalizando Culturas da UNISUL. Cerca de 2000 pessoas  indígenas e juruá (não indígenas) participaram na aldeia Itaty no Morro dos Cavalos para conhecer ou aprimorar seus conhecimentos com o povo originário guarani.

Em 2017, a FUNAI completa 50 anos de atuação e lança no dia 19 de abril, dia do Índio, a campanha “abril indígena 2017” com o tema “Pesquise, Conheça, Combata o preconceito”, buscando o reconhecimento dos modos de vida e ponto de vista dos índigenas, sem os preconceitos e estereótipos ainda presentes por parte dos não índios.

Fotografia Guarani - Morro dos Cavalos
Página Facebook.

Se os denominados “homem branco” se desenvolveram, utilizam das tecnologias que a raça humana trabalhou e continuam sendo homem branco, por que os índios não poderiam se atualizar? Você não deve se surpreender ao encontrar os indígenas utilizando celular ou computador. Sim, eles se atualizaram e, sim, seguem sendo indígenas.

Mais uma prova de seu eficiente uso da tecnologia são os registros em vídeo de autoria indígena da 12ª Semana Cultural Indígena XONDARO MBARAETE REKO (XONDARO e suas resistências). Estão na página “Conexão Itaty” no facebook com edições invejáveis editadas e divulgadas pelos próprios guarani  durante o evento.

As fotos e vídeos completos, de autoria dos indígenas podem ser vistos na página do facebook "Conexão Itaty"


segunda-feira, 17 de abril de 2017

A FELIZ PÁSCOA DE ANA MARIA CRISTINA

Car@ leitor/a. Nossa jovem diretora da Escola Indígena Itaty do Morro dos Cavalos faleceu no domingo de Páscoa. Um carcinoma no Pâncreas, deixou-a 28 dias em sofrimento participativo daquelas dores do Cristo na Sexta-feira Santa. Recebeu a devida homenagem dos guarani no cemitério do Itacorubi. Logo depois, encontrei parentes e amigos impactados com o jeito guarani de se posicionar com a perda, vista como passagem.

Ouviram seus cantos, viram suas danças e enfeites ao redor do caixão. No pôster, palavras inspiradas de amor ilustradas com os desenhos da vida como “um caminho em busca da Terra Sem Males”, que começa aqui e se estende pela eternidade.
É versão das culturas tropicais para o conceito de ressurreição inaugurada na história pela páscoa de Jesus. Confirmei, então,  mais uma vez o que tenho aprendido em Teologia e Culturas que é o Espírito quem nos precede e permanece divinizando-nos em seu AMOR.

Rafaela Iwassaki, Marcos Morreira, Marcelo Werá, Ana Maria Cristina, Teófilo Gonçalves, Jaci Rocha Gonçalves, Danilo Garcia preparando  o Congresso na Unisul Pedra Branca. (Agosto 2016)

Você, inesquecível diretora, única prof não indígena na escola, sofreu em Cristo, agora festeje eternamente sua passagem. Por certo chegaste ao céu repetindo seu refrão diário: “oi, amada, amadinho...”. E toda ensimesmada, inculturada com seus alunos e docentes guarani, fez inveja no céu com seus enfeites cotidianos de embo-y (colares), brincos de penas coloridas colhidas no mato e repintadas, toda convertida a viver o ideal de partilhar vida abundante e generosa para todos e para tudo. Como uma páscoa permanente.

Sua mãe explicou a escolha de seu  nome  assim: ANA, de sua vó paterna, MARIA de sua vó materna, Cristina, porque era o nome que seus pais mais gostavam.
Ana, vó de Jesus, Maria, sua mãe e Cristina, do jeito de ser Cristo isaítico que Jesus escolheu, ou seja, como o servo sofredor e glorificado de Deus. Como você viveu. E nós vamos insistindo, resistindo energizados na vibe do Ressuscitado.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

12ª Semana Cultural XONDARO MBARAETE REKO - XONDARO E SUAS RESISTÊNCIAS


É assim! Na foto, João Batista Kuaray Gonçalves! Professor na Eif Itaty, do Morro dos Cavalos, graduado recentemente no Curso Intercultural do Sul da Mata Atlântica, partilha conhecimentos milenares de seu povo guarani na 12ª Semana Cultural XONDARO MBARAETE REKO - XONDARO E SUAS RESISTÊNCIAS.

Este foi o tema alternativo na crise ética mundial porque Xondaro significa guerreiro criança, jovem e adulto; guerreiras mulheres e homens que se dispõem a cuidar da vida de tod@s.
Esta missão de cuidar da vida de tod@s parece inscrita no coração de todas as culturas da terra. Cuidar da vida humana e de todas as manifestações biológicas.

Valeu a vivência da Aldeia Itaty, mais uma vez como Ambiente de Aprendizagem dos acadêmicos e professores da Unisul e vários outros centros de ensino/aprendizagem.

Aweté, Nhanderu! (Deus nos abençoe!)

Prof. Dr. Jaci Rocha Gonçalves

terça-feira, 4 de abril de 2017

12a Semana Cultural Xondaro Mbaraete Reko


Espiritualidades no timing do cotidiano

Águas de março, teimosias de abril

                                                                                                             Jaci Rocha Gonçalves*

Car@ leitor/@. É 25 de março de 2017. Sábado. Escrevo diante do mar e do morro sagrado dos guarani, em Palhoça. Ouço Tom Jobim na voz de Elis Regina e de sua filha Maria Rita: “São as águas de março fechando o verão. É a promessa de vida no meu coração.” As águas de março são famosas porque regam as plantações e, ao mesmo tempo,  aprontam cheias incontroláveis. São águas brabas antigas como o apelido do Rio Lavatudo, no Planalto Serrano Catarinense. Elas voltaram, as águas brabas, fechando o verão. É bem assim, às vezes, no mar de nossa natureza humana.

Anunciação do Senhor. Solenidade.
Talvez, por isso, seja oportuno aprendermos a leitura desses fenômenos com as chaves da sabedoria popular. O povo liga estrategicamente a Festa da Anunciação de 25 de março, em que Jesus é fecundado, com o Natal em 25 de dezembro, nove meses depois. Por coincidência, meus alunos da Unisul comentaram que valeu nesse março barriga verde a Festa da Anunciação inspirando o musical 2017 que une as vozes nordestinas de Alceu Valença e Elba Ramalho: “A voz do Anjo sussurrou no meu ouvido, e eu não duvido já escuto os teus sinais, que tu virias numa manhã de domingo, eu te anuncio nos sinos das catedrais! Tu vens, tu vens, eu já escuto os teus sinais.”


Assim, Anunciação é a festa do cuidado com a vida, da gravidez de Jesus no útero jovem de Myriam, Maria de Nazaré. Hoje ela é chamada de Nossa Senhora de todos os nomes e cores, em todas as falas e danças, em variados cantos e ritmos. Provavelmente porque, na gravidez de Maria, Myriam, mãe de Jesus se celebram todos os símbolos e tempos em que o feminino garante o cuidado com as vidas. E o masculino também, como José, cuidador inseparável de Myriam e Ieshuá (Jesus).

Deixar-nos tomar por esse espírito da Festa da Anunciação, espiritualidade de cuidadores da vida de todos e de tudo, significa investimento, no mínimo, em nossa saúde fontal, na saúde de nosso ser. Porque essa vibe do cuidado com a vida mexe com o mais profundo de nosso ethos, quero dizer, nosso modo-de-ser-humano. Alguns autores dizem que é o divino fluindo em nosso modo-humano-de-ser. Até não teistas concordam que a opção pelo cuidado biocrático nas relações do cotidiano é nosso modo-de-ser essencial. Eles dizem que não temos cuidado, mas que somos cuidado.

Daí , o pacote de espiritualidade popular unindo março e abril pode de um lado,  sacudir nas posturas de alienação, de deixar como está prá ver como é que fica; ou no desalento causado pela sensação de impotência de achar, por exemplo, que politicamente não temos mais conserto. De outro lado, pode aprumar nossa postura resiliente, teimosa, fortalecida pela páscoa de Jesus unida a outras memórias de lutadores teimosos de abril: de Tiradentes, a Chico Mendes, Irmã Dorothy e uma imensa fileira de mártires indígenas anônimos.


           Tiradentes                                                           Chico Mendes                                      Irmã Dorothy      
(1746-1792)                                                           (1944-1988)                                          (1931-2005)

Todos repórteres teimosos dos valores da dignidade humana e da relação filial com a mãe natureza.
Anunciadores de que é possível e necessária nossa santa teimosia na construção de comunidades livres, responsáveis, participativas e justas, sem deixar de lado o bom humor.

Na vibe do nome Maria, Miryam, que nas sabedorias das espiritualidades antigas significa “aquela que se equilibra sobre as águas, mesmo que águas sejam ondas agitadas”.  



Vamu que vamu, amig@s.


*Padre Casado, Doutor em Teologia e Culturas, Filósofo
Professor da Unisul e Coordenador do Programa Unisul/Revitalizando Culturas