sexta-feira, 1 de abril de 2016

Como está a situação?

6 anos após a tragédia no Haiti, como estão os haitianos na Grande Florianópolis.


Tudo começou no ano de 2010. Um terremoto no dia 12 de Janeiro daquele ano sacudiu violentamente o Haiti, em particular a capital, Porto Príncipe. Mais de 300 mil mortos na catástrofe. Até então poucos eram os haitianos no Brasil. Segundo dados do IBGE, em 2010, havia cerca de 36 pessoas de origem haitiana no país.  O Brasil, que comanda desde 2004 a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH), passou a ser um dos destinos preferenciais dos migrantes, pelo grau de dificuldade de entrada nos países de emigração tradicional.  Desde 2010, cerca de 130 mil haitianos entraram no país pelo estado do Acre. O governo da presidente Dilma Rousseff liberou aos haitianos 43.000 vistos.

Na Grande Florianópolis, habitam 12 mil Haitianos. Destes, 8000 vivem em Palhoça ou Santo Amaro. O Revitalizando Culturas tem exercido um grande papel no auxílio aos haitianos, como no caso da pequena Sofia Laila Fils, concebida no Haiti e nascida no Brasil. Na última atividade de 2015, unimos os esforços com a FMP e o Conselho Municipal para Políticas Culturais em favor do êxito do 1º Fórum de Imigrantes Haitianos realizado em Dezembro na FMP.

Danilo Garcia, Rafaela Iwassaki, Luciana Rocha, Prof. Dr. Jaci Rocha
Na terça-feira, 29 de março, o Revitalizando Culturas e a Unisul receberam a Sra. Luciana Rocha Negreiros, coordenadora do trabalho da FMP com os Haitianos, para uma tarde de trocas de experiências na Unidade Pedra Branca. Ela descreveu e refletiu sobre as ações concretas realizadas pela Faculdade Municipal de Palhoça no apoio aos irmãos de outra nação. Cursos de português e informática têm sido oferecidos e as vagas devidamente preenchidas, uma vez que esse estudo é necessário, para conseguirem bons empregos e tentar mudar uma realidade: a relação escrava de trabalho e salário. Essa é a realidade daqueles que pretendem ficar por aqui, porém, muitos estão planejando o retorno às terras natais. A FMP tem oferecido cursos de administração e gestão de turismo (tecnólogo), este que, ao ser concluído, deixa o estudante devidamente certificado e lhe permite uma pós-graduação. O turismo cresceu muito no Haiti. Após a tragédia de 2010 o povo que acabou precisando deixar para trás famílias e posses, busca agora formação acadêmica, para retornarem e juntos reerguerem a nação.

 A FMP ainda auxilia os haitianos com toda a burocracia da busca de visto de permanência, documentações para contratação pelas empresas locais e dúvidas em geral que eles possam ter sobre a vida brasileira. Na FMP, atualmente, há 100 alunos no curso de português, 60 no curso de informática e 12 na administração e gestão de turismo. Apesar das dúvidas sobre a dificuldade que poderiam ter quanto ao idioma, o desempenho é muito bom.

Luciana testemunhou que “vivendo de forma humilde e obedecendo as leis, cientes de que não estão em sua terra natal, são raros os casos de infrações por parte do povo haitiano. Muitas vezes seus salários, baixos, são divididos entre a sobrevivência e as famílias que ficaram no Haiti.”


O desafio de um novo polo

Como sugestão, Luciana deixou clara a necessidade de um outro polo prestando os mesmos serviços do outro lado da BR101, que abrange a região da Pedra Branca, Jardim Aquarius, Jardim Eldorado, Passa Vinte, dentre outros. Com os apoios da Polícia Federal, Pastoral do Imigrante, Prefeitura Municipal de Palhoça e Ministério de Relações Exteriores

Boa sorte aos irmãos haitianos e o desafio continua.


Leonardo Santos
(Estagiário Revitalizando Culturas)
Orientação: Professor Dr. Jaci Rocha Gonçalves

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