segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Espiritualidades no Timing da Vida: Setembrada 2



Jaci Rocha Gonçalves*

Dá-lhe vida e democracia biocrática! Foi o grito de setembro de 2016.
Gratidão por viver. Meu niver de 67 anos teve direito a serenata-surpresa com sabor andino e na praça do face mais de 500 amig@s. Foi impossível não chorar na hora do nome por nome, rosto por rosto e, em cada nome e rosto: a história sagrada de  cada vida com seu jeito singular, qual DNA irrepetível.

Depois, foi a vez do convite para ir à missa de gratidão pelos 25 anos de Orionópolis Catarinense da sede de São José. Em 2017, serão os 30 anos da sede de Capoeiras onde hoje segue firme o acolhimento de crianças no CEDO – Centro Educacional Dom Orione. Ambos os serviços documentam a força que tem as comunidades quando se organizam em mutirão e resolvem assumir o protagonismo do cuidado com a vida de todos (biocracia). Sou agradecido em participar e animar esse processo definidor de valorização da força comunitária que no serviço de cuidado com as vidas mais fragilizadas não dispensa ninguém seja da religião, etnia e ideologia que for.

Depois, de 13 a 15 no campus da Unisul Pedra Branca e na aldeia Itaty, os 18 anos do Unisul/Revitalizando Culturas, ecoando mundialmente as experiências de solidariedade refletidas nas grandes rodas de conversa sobre o indigenismo, unindo forças no 1º Congresso Internacional Revitalizando Culturas. Mais uma vez a constatação de que a história humana se faz e se refaz quando os sujeitos, no caso os indígenas, caminham organizados fazendo a hora acontecer.   

Dendobrium tipo de orquídea mais popular no mundo
pela sua beleza e facilidade de plantio e cuidados
Por último, a lembrança mais definidora de minha vida nos últimos 21 anos: a graça de construir uma família graciosa e guerreira. A mãe de meus quatro filhos tem se inspirado no conhecimento e cultivo de orquídeas. Dentre todas as orquídeas, tem uma dendobrium que conta nossa rica história de amor. Foi oferecida à jovem linda e voluntária resolvida que trouxe seu grupo de danças de crianças de rua para inaugurar a Orionflores, em setembro de 1991. As crianças estimularam os primeiros 32 moradores da Orionópolis a renovarem suas razões para viver. Uma espécie de troca geracional de energias.

Janaina, minha querida esposa, cultiva a linda e perfumada dendobrium que de início simbolizou gratidão amiga e, mais tarde, fio condutor e testemunha de nossa história de amor.   

É uma setembrada com abundância de celebrações de gratidão, louvor e compromisso biocrático. Com uma prece insistente e confiante unida ao que o papa Francisco falou com Nossa Senhora Aparecida, em Roma, preocupado com a democracia no Brasil: a continuidade do cuidado com a vida de todos, mas privilegiando os pobres para que não sejam condenados a voltarem sob a linha da miséria. Votar doravante significa exigir dos eleitos, a vivência dos compromissos. E que as manifestações passem a ser hábitos municipais. Da democracia representativa à participativa-biocrática. Amém!

*Padre Casado, Doutor em Teologia, Filósofo, estudou
Comunicação no Vaticano e é Professor da Unisul.

Publicado Originalmente Jornal Cotidiano
em 19 de Setembro de 2016.

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