quarta-feira, 1 de junho de 2016

Espiritualidades no timing da vida

Um São João diferente em 2016

Jaci Rocha Gonçalves*

Caro leitor, a tocha acesa na chama olímpica está acendendo também a chama de nossa esperança na olimpíada de um Brasil mais justo e amoroso? Porque a esperança não é a última que morre, mas é a primeira que nasce. A esperança sustenta a fé e dá leveza para a caridade. Lembro do mantra de São Paulo: “A esperança não decepciona!”, o qual mantive em folhas de recados para animar a saúde integral das comunidades por mais de 30 anos.

Nossas espiritualidades com mantras como esse podem garantir fôlego suficiente para seguir exigindo um modo de ser país que respeite e anime a vida do povo. E optando por escolhas de governanças que tenham foco, sim, no cuidado de todos, mas dando preferência pelo cuidado com a vida dos mais pobres. Caso contrário, os céus não aguentam e criam formas mais ousadas de nos alertar. Junho registra para da coletânea dessas ousadias dos céus nas festas dos Antônios, Pedros e, sobretudo, dos Joãos com seus fogos, fogueiras e pinhões.

O São João das fogueiras, além de batizador, teve esse nome que significava sua missão de anunciador de esperanças em tempos difíceis: voz que clama no deserto cultivando os caminhos do amor, custe o que custar. Talvez por essa autoridade que se deu de enfrentar o difícil – talvez seja, por isso, o segundo nome masculino mais comum no Brasil após José, segundo o IBGE.
Mas junho lembra também a festa do primeiro indígena feito santo na igreja católica. Em dezembro de 2002, por Jõao Paulo II, 554 anos após sua morte, em 1548. É São Cuauhtlatoatzin, nome que na língua nahualt, falada pela confederação maio-asteca no México, quer dizer “águia que fala ou alguém que grita como águia”. Talvez por ser essa águia falante, acrescentou Juan (João) Diego.

São Juan Diego Cuauhtlatoatzin
Aos 47 anos, São Juan Diego Cuauhtlatoatzin tem diálogos com Nossa Senhora de Guadalupe nas aparições de dezembro de 1531. O rosto da santa não é espanhol, nem indígena, mas mestiço, de uma jovem com seus 16 anos. Em 1531 não havia jovens mestiças dessa idade. Parece que La Morenita, apelido carinhoso que lhe dão os mexicanos, estava tentando impedir a carnificina em curso feita pela invasão espanhola. Mas não teve jeito: houve um etnocidio de 14.221.835 indígenas em apenas 36 anos.

Há muitas perguntas não respondidas sobre Cuauhtlatoatzin e a imagem da jovem mestiça estampada em seu manto (tima) que tem dado o que pesquisar aos cientistas da atualidade. Para nossos tempos de junho, com manifestações desde 2013, o único indígena reconhecido santo pode reavivar nos corações jovens a certeza de que a Mãe de Jesus é uma aliada e plantonista expert na esperança de construir saídas para situações caóticas.

Lá em Tepeyac, onde ela apareceu, até as flores nasceram em lugar impossível. Mas a esperança que não decepciona é aquela do amor inclusivo, com preferência pelos excluídos e indefesos. Os gritos juninos nas avenidas precisam ecoar na prática insistente e pedagógica de programas sociais solidários e participativos na olimpíada por um Brasil mais justo e amoroso. Vamu q vamu!

*Padre Casado, Doutor em Teologia, Filósofo, estudou
Comunicação no Vaticano e é Professor da Unisul.

Publicado Originalmente em Jornal Cotidiano Pedra Branca

Em 01 de Junho de 2016

2 comentários:

  1. São Juan Diego Cuauhtlatoatzin ganhou agora uma linda biografia. Vou pedir-lhe que me alcance uma graça.

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  2. Minha irmã Geny, que é antenada nas notícias do Face (e procura ver no Google se conferem), viu que o atual Presidente em exercício está ocupando aquele dinheiro (bilhões) que os Governos do Lula e Dilma colocaram (de propina no Banco para o Partido), e em vez de mais impostos, está mandando acabar obras inacabadas e importantes. Eles demagogicamente faziam de bonzinhos com a Bolsa família,etc., mas também mandando principalmente o maior dinheiro para o estrangeiro (Porto de Cuba, e outros e aqui ... E a Dilma tratando até a filha com altas mordomias...

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