quinta-feira, 16 de junho de 2016

Espiritualidade no timing da vida: Clamor ecológico em Palhoça

Jaci Rocha Gonçalves

Você e eu temos a graça de viver nesse pedaço ecologicamente privilegiado do universo, chamado Palhoça (palha + oca= casa de palha). É nessa vibe  de junho socioambiental de 2016 que partilho com você a sintonia com duas vozes de engenheiros comunicando clamor pelo cuidado com o ecossistema palhocense.

A primeira voz foi de engenheiros escritores. João Carlos Mosiman, engenheiro civil aposentado, faz uma pesquisa online na Universidade de Salamanca sobre os relatos dos espanhóis nos encontros com o povo guarani desde 1515 até 1580 na Barra Sul da Ilha e nos vales e embocaduras dos rios do Sul da Palhoça: Maciambu e Madre. O engenheiro comenta no livro Porto dos Patos que a fama de paraíso natural reconhecida por surfistas e turistas de hoje é bem antiga.   

De fato, dentre as melhores praias do mundo está a da Guarda do Embaú: nela dialogam o Rio da Madre, quando na foz se esconde do oceano pelo istmo de areia para, de surpresa, desembocar frente a frente direto nas ondas do Atlântico.

Além de listar a exuberância de alimentos na flora e fauna de nosso município naquele período colonial, o engenheiro curioso observa também o testemunho do guarani como povo visceralmente solidário e que acolhe e cuida dos naufragados. Esse povo cujos descendentes ainda lutam pacificamente na justiça há mais de 20 anos pela devolução de uma nesga de floresta junto ao Morro dos Cavalos, um dos morros sagrados dos seus ancestrais no Vale do Maciambu ao lado do Morro da Enseada, do Cambirela e Pedra Branca.

Fotografo: Danilo Garcia. Foto tirada no Vale da Utopia em Palhoça - SC


Outra voz de escritor sobre as belezas socioambientais de Palhoça é do velho sábio José Daniel da Silva, engenheiro sanitário e ambiental, quando revela que na foz do Rio Cubatão, e não sob a Ponte Hercílio Luz, é que se equilibram as energias das correntes marítimas das baías Norte e Sul; aí se delimita o fim da estrutura de manguezal no hemisfério Sul pelo fenômeno do tombo da maré. Essas forças energéticas estabeleceram água doce, gerando, nos últimos 100 mil anos, o mangue da Palhoça conhecido como o maior mangue urbano do mundo.

Essas mundialidades da beleza natural palhocense e do jeito de ser solidário do povo originário guarani ou carijó  estão suplicando cuidados urgentes tanto na esfera sociocultural como ambiental. A outra voz é também de engenheiros. Desta vez engenheiros e engenheiras professores da Unisul Pedra Branca. Das várias engenharias: civil, química, sanitário-ambiental que unidos à naturologia estão reunindo forças, esforços e produtos frutos da inovação da juventude universitária diante deste clamor ecossistêmico palhocense. Essa roda de estudiosos querem internacionalizar o Desafio Zera Lixo num movimento da Palhoça para  o mundo. No meio da conversa, um dos engenheiros sugeriu que esse congresso fosse batizado como Congresso Sustentabilis est. Senti que ficamos encharcados com alegria e esperança. Vamu q vamu!

Texto Publicado Originalmente em
Blog Revitalizando Culturas 
16/06/2016

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