sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Terÿ Marae-y: voz guarani nas escolas de SC

Espiritualidades no timing da vida

Escrito por: Jaci Rocha Gonçalves
 
Às 18h da quinta-feira, 19 de novembro de 2015, no 8º UniDiversidade junto à Passarela Verde da Unisul Pedra Branca, os instrumentos tradicionais do coral Kuaraí Ouá (Renascer do sol) dos guarani-mbyá da aldeia Marangatu (Terra da paz) de Imaruí (SC) vão sustentar suas músicas mântricas e as danças do CD Terÿ Marae-y (Nome sagrado). O CD compõe o kit  Diálogos Culturais a ser entregue a todas as escolas de Santa Catarina e, cuja exposição, se encontra no MIS/MASC do CIC nessa novembrada.

Gravado em 2002 sob a força da Unisul, Orionópolis Catarinense e FCC, lá se vão 13 anos desta obra de arte com autoria plena dos guarani. São 13 composições de Inácio da Silva Werá Mirim. “Após semanas na floresta da Serra do Tabuleiro, Namandu me ensinou estas músicas!”, disse-nos ele, ao entregar as composições.

Foram gravados três CDs no arco de 10 anos trazendo curiosas revelações deste povo de perfil sereno, alegre e resistente. No CD, crianças e jovens guarani partilham valores, memória de seus ancestrais e resgatam ideais que o tempo não mata: o maior deles – recuperar territórios sagrados como em Palhoça, o Morro Sagrado de seus ancestrais, conhecido como Morro dos Cavalos.

Na música, rezam, cantam e dançam na língua guarani: "Oreruvixá Xepe Tiaraju Nhandeyvy re rejejuka / Nhandeyvy re rejejuka ore katu ndera / Ky kuere rojae ó vyro porai rojae ó vyro / Pi ore torovy ndera ky kue ru / Pi ore torovy a."Nosso chefe Sepé Tiaraju / Você foi morto injustamente pela defesa da nossa terra sagrada / Nós hoje cantamos a todos sem distinção e choramos em silêncio / Sua morte seguramente não foi em vão / Depois da sua morte houve um grande silêncio por toda a terra / Nosso povo ficou  triste / Mas também muito feliz / Porque o seu sangue inocente, nosso irmão, banhou a terra / A sua coragem nos traz força e esperança neste nosso canto sagrado."

A terceira curiosidade é que, após o registro pelo ECAD na Biblioteca Nacional, com partitura e todos os requisitos, veio a notícia de que é o primeiro registro de músicas em guarani desde a proibição do uso da língua Nheenkatu há 250 anos.

Espiritualidade em cada verso, som, instrumentos, pinturas corporais e figurinos, Terÿ Marae-y, foi escolhido pelo MIS/MASC para repassar aos nossos filhos em todas as escolas catarinenses as sabedorias plurimilenares guarani com sua autoridade direta.


Palhoça, cujo  nome mistura palha + oca (casa de palha em guarani), possui ricas memórias deste povo sagrado pelos nomes de seus morros, florestas, animais e rios. É o município catarinense com mais aldeias guarani de SC. E terá lucidez suficiente para resolver com respeito e dignidade os conflitos de terra, sem deixar-se levar por grupos nacionais de ganância que incentivam o ódio e a discriminação. Rezemos com o coral Kuaray Ouá na passarela verde da Unisul Pedra Branca.

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