segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Espiritualidades no timing da vida


Espiritualidades no timing da vida

Outubro: Anjos, Franciscos, Terezas, Crianças e Aparecida

Escrito por: Jaci Rocha Gonçalves

Na bancada da TV, durante debate sobre o Projeto de Lei 6583/13, estavam: à minha esquerda,umaparticipante laicistaque reclamava da imposição de conceito minimalista sobre família feita por alguns partidos de maioria evangélica ultraconservadora; À direita, um bispo evangélico que classificava as posições do Papa Francisco como comunistas. O jornalista moderador da emissora era de religião judaica e perguntava pelas saídas para o Estatuto da Família diante de tantos fundamentalismos com base religiosa.

No primeiro bloco ponderei que o Congresso perdera uma grande chance de dar voz e consultademocrática ao povo. Lembrei que o Papa Francisco deu exemplo de democracia,fazendo consulta em todas as comunidades católicas sobre o tema da família hoje.Nosso diálogo no debate não foi tranquilo. Voltei pra casa com o sabor de conversa incompleta.

Lembrei-me, então, das espiritualidades cristãs própriasdos meses de outubro. E começo com as lembranças de Tereza, jovem santa que morreu aos 24 anos de idade, tornando-se padroeira das missões inclusivas. Ela vivia sob o lema “muitos falam de Deus aos homens, nós falamos dos homens a Deus!”. Nunca saiu do claustro, mas vivia em sintonia plena adotando a inclusão da humanidade em sua reza com o Divino.

No dia 03, o mês de outubro nos brinda com os Santos Anjos, devoção não apenas de católicos, mas também dos que descendem da Mama África e dos povos originários. Quem esquece o “Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador...”?

Tereza e os Anjos são duas devoções, heranças de nossos ancestrais, que só completam o ciclo com o santo homenageado do dia 4 de outubro: São Francisco de Assis.

O jovem todo desprendido da Praça Central de Assis, sem roupa, sem grana, sem fama, sem sobrenome, se embrenha na floresta adotando nova família com um único sobrenome: ser vivo! Parente das aves e árvores, do sol e da lua, dos animais da terra e das águas. Dentre os humanos, elegeu como íntimos os ditos leprosos, aqueles que viviam excluídos fora dos muros de sua cidade.

Os amores de sua aliada, Clara de Assis, e de seus amigos que buscavam novos e profundos sentidos, remexeu aos poucos as estruturas sociais pesadas e encardidas pelo contexto de ambição e desigualdade. Ele mais pareceu uma versão de Cristo medieval para remoçar a vida das crianças de seu tempo e de nossos tempos - crianças com a autoridade dada pelo povo Guarani(bem antes dos tempos de São Francisco): “são nossas educadoras, porque são mensageiras de Nhanderu, nosso Pai”.


Nosso povo criou-lhe o apelido carinhoso de Chico. Foi um ser humano inspirador, sem fronteiras religiosas e ideológicas. Mas as espiritualidades dos outubros têm muita riqueza a explorar de outros Franciscosinspirados na Aparecida pescada nas tarrafas e perturbadora de estruturas escravocratas. Depois do debate, pensei muito mais. Mas fica pra próxima coluna amigos!

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