segunda-feira, 17 de abril de 2017

A FELIZ PÁSCOA DE ANA MARIA CRISTINA

Car@ leitor/a. Nossa jovem diretora da Escola Indígena Itaty do Morro dos Cavalos faleceu no domingo de Páscoa. Um carcinoma no Pâncreas, deixou-a 28 dias em sofrimento participativo daquelas dores do Cristo na Sexta-feira Santa. Recebeu a devida homenagem dos guarani no cemitério do Itacorubi. Logo depois, encontrei parentes e amigos impactados com o jeito guarani de se posicionar com a perda, vista como passagem.

Ouviram seus cantos, viram suas danças e enfeites ao redor do caixão. No pôster, palavras inspiradas de amor ilustradas com os desenhos da vida como “um caminho em busca da Terra Sem Males”, que começa aqui e se estende pela eternidade.
É versão das culturas tropicais para o conceito de ressurreição inaugurada na história pela páscoa de Jesus. Confirmei, então,  mais uma vez o que tenho aprendido em Teologia e Culturas que é o Espírito quem nos precede e permanece divinizando-nos em seu AMOR.

Rafaela Iwassaki, Marcos Morreira, Marcelo Werá, Ana Maria Cristina, Teófilo Gonçalves, Jaci Rocha Gonçalves, Danilo Garcia preparando  o Congresso na Unisul Pedra Branca. (Agosto 2016)

Você, inesquecível diretora, única prof não indígena na escola, sofreu em Cristo, agora festeje eternamente sua passagem. Por certo chegaste ao céu repetindo seu refrão diário: “oi, amada, amadinho...”. E toda ensimesmada, inculturada com seus alunos e docentes guarani, fez inveja no céu com seus enfeites cotidianos de embo-y (colares), brincos de penas coloridas colhidas no mato e repintadas, toda convertida a viver o ideal de partilhar vida abundante e generosa para todos e para tudo. Como uma páscoa permanente.

Sua mãe explicou a escolha de seu  nome  assim: ANA, de sua vó paterna, MARIA de sua vó materna, Cristina, porque era o nome que seus pais mais gostavam.
Ana, vó de Jesus, Maria, sua mãe e Cristina, do jeito de ser Cristo isaítico que Jesus escolheu, ou seja, como o servo sofredor e glorificado de Deus. Como você viveu. E nós vamos insistindo, resistindo energizados na vibe do Ressuscitado.

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