terça-feira, 30 de maio de 2017

Cinesocial apresentou curtas de alunos de Cinema

Com o intuito de ampliar o olhar para as possibilidades de abordagens e posturas profissionais da comunidade acadêmica, no cenário da comunidade em que a Universidade está inserida, o Centro Acadêmico de Naturologia, junto com a professora Darlene De Moraes Silveira e alunos do curso de Serviço Social organizaram o Cinesocial. O evento promovido no dia 23 de maio apresentou três curtas metragens e foi mediado pelo Projeto de Extensão: Mediação de Culturas e Direitos Humanos.
O projeto Mediações Culturais e Direitos Humanos pode beneficiar diferentes cursos de graduação na visão do professor Jaci Rocha Gonçalves. Ele diz que no mês de junho será realizado outro projeto diferenciado, o Diálogos Culturais sobre Africanidades. “Mas essa noite de hoje em particular representa uma afirmação do protagonismo e da inter formação que o aluno pode fazer acontecer na Universidade. Esse é um momento em que se recebe e também se troca. Se afirma aquilo que acreditamos, estudamos e observamos como fundamento. Não só para pessoa, mas para coletividade. Então essa afirmação de uma nova postura do cidadão universitário”, contextualiza.
Entre os filmes apresentados está o do aluno da quinta fase de Cinema, Leandro Cordeiro. Ele dirigiu o curta ‘Eu volto ao lado deles’, que já foi exibido na TVT, em São Paulo, teve estreia no Festival Forumdoc BH, passou no Festival Universitário de Belém, no Pará. E foi exibido pela primeira vez na Unisul. “O professor Daniel Izidoro me apresentou a família do Almirenio. Então era uma época que o bloco c estava cheio de arte, de quadros e tinha uma sequência de quadros com mascaras que remitiam rostos africanos. E daí eu perguntei para ele quem tinha feito, porque eu achei incrível a expressão artística daquela obra. Ele falou é o Almirenio e daí eu falei vamos lá, vamos conhecer ele”, relembra.
No início, Leandro pensava em fazer um filme sobre as obras do Almirenio. Ele como artista, mas depois que conheceu sua família, mudou de ideia. “Eu me apaixonei pela família de uma forma que eu pensei que o filme precisava ser sobre a família. Sobre acesso à educação, a questão migrante da Bahia até São Paulo, de São Paulo para cá. Então esse fator social me encantou digamos, me chamou muita atenção. E eu fiquei mais ou menos uns dois meses indo na casa deles, conversando, criando intimidade e hoje eles são meus amigos”, conta.
Já o aluno da terceira fase, Rodrigo Ribeiro dirigiu os curtas ‘Entre nós’ e ‘Minuto Rosselini’. Em ambos os filmes, a presença negra fica evidenciada. “Um é inspirado no neorrealismo italiano da década de 60. Eu trouxe para essa visão mais brasileira que era uma garota negra vendedora de balas transitando pelo museu Cruz e Souza. E o outro a mesma coisa que tinha toda uma temática mais engessada da Universidade e eu quis trazer para esse recorte também racial, retratando as bonecas abayomis, de um quilombo”, conclui.
O professor Jaci diz que o Cinesocial tem uma riqueza endocultural em que se afirmam os valores que estão sendo construídos. “Os filmes dessa noite foram feitos por nosso Para o professor Jaci, o evento foi um momento de revolução, pois mostrou aquilo que não se mostrava, que nos faz acostumar com o tipo de estética que deixamos de lado. “Foi lembrado aqui no debate pelos próprios cineastas jovens o quanto de ausência tem da negritude afro-brasileira nas nossas telenovelas e na nossa publicidade e propaganda. Então a grande ausência daquele que é o maior habitante do Brasil. Porque o Brasil ele é negro, ele é pardo, é mestiço e é a segunda nação mais negra do mundo”, complementa.
Em termos de conteúdo teve uma coisa que chamou a atenção do professor, que foi a presença da EAD, que foi acolher o virtuoso para levar para o virtual, uma forma de que as criações podem ser levadas a qualquer espaço. “Então a UnisulVirtual transmitir para seus alunos foi muito proveitoso”, diz Jaci.

Publicado Originalmente em 
25 de Maio de 2017 
Unisul Hoje

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