quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Espiritualidade no timing do cotidiano

Paz em 2017. 2+01+7= ?

Jaci Rocha Gonçalves *

Car@ amig@ leitor/a. A utopia factível da paz tem sido tema dos janeiros.  A dica a todas as espiritualidades veio do Papa Paulo VI em 1º de janeiro de 1967. Três meses depois, em março, na famosa carta encíclica sobre o Progresso dos Povos (Populorum Progressio) o sábio papa Montini explicou que entendia a paz como o desenvolvimento da vida para todos. Neste janeiro de um ano que soma dez, alguns de nossos velhos sábios, teimosos cultivadores da paz com este significado, nos deram “até logo!”

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Zygmunt Baumann (1925-2017)

Faz três horas, enquanto partilho essa crônica, recebi esse inbox no face: pai, Zygmunt Baumann se foi. Em seguida, um post de um amigo mineiro lembrou que em entrevista no Observatório da Imprensa, em 2015, o filósofo polonês  se mostrou surpreso com os avanços sociais brasileiros por uma paz concreta bem conforme ao conceito de Montini que lembrei acima: “representantes de 66 governos do mundo vieram para o Rio de Janeiro para se consultarem, para aprenderem sobre a experiência de retirar 22 milhões de pessoas da pobreza. Ninguém mais repetiu esse milagre, apenas o Brasil até agora", disse Baumann.


Há várias outras fontes de espiritualidade que confirmam  a necessidade urgente de viver este foco da ciência da paz, ou seja, como criação de oportunidades iguais para o desenvolvimento de todas as vidas no planeta de forma não-violenta ativa e criativa. Um dia desse janeiro na livraria, enquanto minha filha de nove anos procurava o clássico Menino do Dedo Verde, de Maurice Druon, me vi folheando um diálogo entre Daniel Goleman, o guru de inteligência emocional e o Dalai Lama, papa do Budismo Tibetano. Após exílio de 50 anos, o sorridente Lama insistia que a maior ameaça à paz é esse sistema  intrinsecamente anti-ético de gerir a economia para o lucro de pouquíssimos. 

O papa Francisco na mensagem sobre a paz para 2017 lembra o Mahatma Ghandi, apóstolo maior da não-violência, Khan Abdul Ghaffar Khan, muçulmano paquistanês que defendeu a escolha não-violenta de Gandhi, e Martin Luther King. Entre as mulheres, Francisco lembra a terapeuta e prêmio Nobel “Leymah Gbowee e milhares de liberianas, que organizaram encontros de oração e protesto não-violento (Pray-ins) conseguindo negociações de alto nível para o fim da segunda guerra civil na Libéria”.

Aqui pertinho demos “até logo”  ao mucisista e teólogo padre Ney Brasil, o amigo dos detentos, e ao professor e prefeito Sérgio Grando, que soava um sininho ao subir os morros chamando o povo para o plano participativo nos anos 80. Ambos tinham em comum a dica do papa Francisco: o cultivo da “não-violência ativa e criativa como estilo de vida e um estilo de fazer política”.

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Neste 2017, completam-se 50 janeiros deste santo aprendizado de irenelogia (ciência da paz) como inclusão da qualidade de vida para todos e tudo. Somos milhares nessa procissão de maioria anônima   comprometida a “cultivar comunidades não-violentas, que cuidem da casa comum”. Vamu q vamu! 2017 repropõe velhos desafios à irenelogia. 


*Padre Casado, Doutor em Teologia, Filósofo,
estudou Comunicação no Vaticano e é Professor da Unisul.

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