quarta-feira, 16 de março de 2016

Espiritualidade, carnaval e trote

Espiritualidades no timing da vida.

Escrito por: Jaci Rocha Gonçalves


O que tem a ver carnaval e trote com espiritualidade? Vejamos. O carnaval de fevereiro de 2016 trouxe espetáculos de beleza criativa, reflexão alegre e o efeito-surpresa da volta de milhares de blocos no carnaval de rua.

Aqui, no campi da Unisul Pedra Branca, temos refletido que a ciência filosófica da estética inclui as artes e as religiões como nossas construtoras de sentidos – para isso usam o símbolo, o que significa do grego (sin-bolein) aquilo que une; antônimo de diabólico (dia-bolein), o que divide.

Na festa onde falam os símbolos, como no carnaval, ocorre um pouco esse paradoxo: leva-se para a rua o símbolo que possa fortalecer os sonhos de justiça de uma comunidade. A forma é brincar com a inversão de papéis do cotidiano pela fantasia: A autoridade vai pra rua e o povo é quem fica no palco.

Lembrei-me desse conceito no livro Festa dos Foliões de filósofo culturalista Harvey Cox, que li nos idos de 1970. Mostra que a gênese medieval das festas carnavalescas (carne vale = importa o canal, o que sente o lúdico) era período indispensável antes da quarentena de meditações sobre a vida, o sofrer, o morrer e ressurreição de Jesus.
O carnaval é espaço para a fantasia, brinquedo, imaginação. Este ano, alguns desfiles dos sambódromos de São Paulo e Rio pareciam uma procissão de fé, com enredos sobre a Virgem Maria, a flagelação de Jesus, a história de São Jorge, a humanidade diante dos mistérios e dos valores ecológicos.

O mesmo pode ocorrer com festas de ciclos universitários como o trote e festas de formaturas, próprias de março. Harvey Cox ainda nos desafiava como estudantes: “Estamos em condições de arranjar um lugar mais seguro para a fantasia também em nossas escolas cognitivamente superdesenvolvidas? Um renascimento da fantasia não precisa resultar na morte do pensamento racional. Ambos fazem parte de toda cultura sadia.”

Festejamos o quê e para quem? Várias festas de trote solidário têm sido ritos de passagem, em que o calouro faz gestos solidários e consequentes com seus colegas de futura profissão junto à comunidade vulneráveis. Assim, mais tarde, nas festas de formatura, dançarão a alegria de assumir o juramento profissional perante o povo.


As festas permitem, assim, uma catarse psicofísica e uma espiritualidade como fonte de saúde no ser das pessoas, porque podem subverter, refazer e inspirar nossas opções mais profundas. 

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