sexta-feira, 5 de setembro de 2014

18ª Missa do cadáver na Unisul Pedra Branca

Cerimônia com mais de 150 anos de tradição em Faculdades de Medicina é realizada na Pedra Branca



Eduardo Schmidt
Estagiário Revitalizando Culturas
Supervisão: Jaci Gonçalves, Dr .

Partilha de flores dos veteranos aos calouros simboliza
 a delicadeza no cuidado essencial com a vida


Na última sexta-feira, 29 de agosto, cerca de 60 pessoas, a maioria alunos de Medicina, participaram da 18ª Missa do Cadáver, no Anatômico da Unidade Pedra Branca. A cerimônia, que tem tradição internacional de mais de 154 anos em Faculdades de Medicina, foi presidida pelo professor de ética, antropologia cultural e filosofia, Jaci Gonçalves. O tema desta edição foi ‘Valorização da vida humana’, escolhido pela segunda fase do curso de Medicina. 








Medicina biocrática
O professor Jaci chamou a atenção para a atualidade do tema, lembrou que o comércio de armamentos ainda é o mais lucrativo. “É o comércio da morte em alta. Esse tema lembra-nos que a Medicina tem vocação biocrática, porque faz a opção de se deixar inspirar e governar pelo valor da vida”, disse. Para ele, quem escolhe a Medicina, vai na contramão deste sistema de mercado internacional que sempre encontra uma desculpa para um novo bombardeio, como os do Oriente Médio em curso nestes últimos meses. “Nesta contramão, vocês alunos e professores atualizam em vossa opção a mesma escolha ética de Jesus”, acredita

                                                                                                                                                    Ao som de Tears in heaven, de Eric Clapton

Futuros médicos cantam a sensibilidade com a vida.
Todas as vidas
A cerimônia incluiu orações e canções de valorização da vida humana ao som de violão, dos acadêmicos e do professor Jaci, em clima de muita emoção. Além dos alunos, professores e técnicos, a celebração contou com a presença de pais e colaboradores da limpeza. Ao final, o professor Jaci aspergiu com água benta os cadáveres, salas de aula e todos os participantes que se deram abraços de paz. O aluno Vitor Cruz, da segunda fase de Medicina, coordenador da equipe promotora da celebração, disse que a solidariedade na profissão vai ter que correr sempre em primeiro lugar. “A vida humana terá que ser sempre muito valorizada como dissemos no tema do culto sobre a valorização da vida humana", disse Cruz.

154 anos de tradição

Prof. Jaci é aspergido pelo coordenador 
do Laboratório de Anatomia
 da Unisul Pedra Branca o prof. Heitor
O médico e coordenador do Laboratório de Anatomia, Heitor Germano do Livramento Ducker, disse que este momento é sempre de muita emoção. “Desde minha época de calouro, há 45 anos, quando ingressei na Universidade Federal de Santa Catarina”, lembra. O professor Heitor disse também que esse momento ocorre em todo início de semestre. “Nada mais é que um reconhecimento da vida. Os cadáveres são a vida da nossa Anatomia. Nós vivemos a nossa profissão graças a essas pessoas que não tiveram o seu nome, não tiveram, muitas vezes, o reconhecimento da sociedade, mas que prestam elevados serviços à nossa profissão”, avalia. Essa é uma tradição internacional com cerca de 154 anos nas faculdades de Medicina.

Aspersão com água renovando pessoas, cadáveres e ambiente

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