segunda-feira, 22 de abril de 2013

Ambiente de aprendizagem:

a aldeia Itaty do Morro dos Cavalos


Está bombando desde sexta-feira, 19 de abril a 10ª. Semana Indígena na Unisul Pedra Branca unida à 8ª. Semana Cultural da Tekoá Itaty.

No sábado pela manhã, os guarani se dedicaram ao plantio de árvores nativas e frutíferas orientados por sábios guarani e as agrônomas Ravia e Flávia Simão Lapa. 

Cerca de 500 visitantes - guaranis, estudantes e interessados pela causa indígena – já circularam na aldeia do Morro dos Cavalos - Tekoá Itaty. Dentre eles reencontramos o naturólogo Walbert Zanoni com sua esposa irlandesa Manika e seus filhos. 

Eles acabam de fazer a travessia sagrada do Peabiru - caminhos dos povos originários do sul do Equador unindo Pacífico e Atlântico. Manika vai lançar seu livro sobre o Peabiru esse ano em inglês na Irlanda. 

A jornalista Rosana Bond e o prof. Adão Karaí Tataendy apresentaram várias pesquisas neste domingo. Com embasamento na historiografia, Rosana mostrou um jornalismo cultural na apresentação do segundo volume de História do Caminho do Peabiru. 

Tataendy (Chama Divina) por sua vez apresentou os resultados da sábia troca de saberes com a oralidade dos Xeramõi (velhos sábios) e das Xejany (avós sábias). Ele desentranhou das palavras muitos contextos históricos.




 Muito obrigado, Analúcia, Procuradora da República,
por nos proteger!
(Trad. Luís Karaí – TI Itaty)


Obrigado, meritíssimo juiz, porque veio olhar o nosso lugar!
(Traduções de Luís Karaí – TI Itaty)

Já levaram toda a nossa terra! Senhor juiz,
ajuda-nos, por amor de Deus!
  

Esses cartazes feitos pelos estudantes da aldeia para as autoridades judiciárias da República continuam lá. Eles acolhem os visitantes e refletem a esperança guarani pela homologação definitiva da Terra Indígena Morro dos Cavalos - um de seus morros sagrados.

3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Solicitamos completar seu comentário. Parece-nos que veio com o script incompleto. Grato.

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    1. Esqueça aquela ideia romântica de que, quando os portugueses chegaram ao Brasil em 1500, os índios que viviam em harmonia com a natureza foram brutalmente exterminados pelos colonizadores por séculos a fio. Publicações recentes defendem que, longe de serem passivos e vítimas do “vilão português”, muitos índios aliaram-se aos brancos por interesses pessoais, desfrutaram de festas e bebedeiras, venderam outros índios em troca de mercadorias e também foram os responsáveis pelo extermínio de seu povo.

      Uma dessas publicações é o livro Guia politicamente incorreto da História do Brasil, no qual o jornalista Leandro Narloch defende que “uma das concepções mais erradas sobre a história do Brasil é acreditar que os portugueses fizeram tudo sozinhos”. Narloch apresenta trabalhos que mostram que, antes mesmo de os portugueses chegarem aqui, o extermínio indígena já havia começado: em busca de melhores regiões de habitação, tribos se locomoviam pelo território que seria o Brasil e iam expulsando – e exterminando – os índios inimigos que encontravam pela frente.

      Quando Cabral desembarcou em território verde-amarelo, tribos começaram a travar guerras para disputar quem se aliaria aos recém-chegados. Índios vendiam índios inimigos aos portugueses em troca de especiarias. Documentos históricos endossam a tese apresentada, como uma carta datada de 1605 em que o Padre Jerônimo Rodrigues mostra-se surpreso com índios dispostos a trocar gente da própria família por mercadorias. “Trazem a mais desabrigada gente que podem, scilicet, moços e moças órfãs, algumas sobrinhas, e parentes, que não querem estar com eles ou que os não podem servir, não lhe tendo essa obrigação; outros trazem enganados, dizendo que lhe farão e acontecerão e que levarão muitas coisas [...] outros venderam as próprias madrastas, que os criaram e mais estando os pais vivos.”

      Durante as bandeiras, expedições realizadas pelos colonizadores para capturar índios e escravizá-los e que contribuíram para ampliar as fronteiras territoriais do país, os portugueses não estiveram sozinhos. Narloch diz que essas expedições tinham, no mínimo, duas vezes mais índios do que portugueses (geralmente, dez vezes mais).

      Em bandeiras ou em guerra tribais, por que os índios capturavam os próprios índios e os vendiam aos portugueses? Talvez uma das explicações seja o fato de que o conceito de identidade única de índios ainda não existisse quando os portugueses chegaram por aqui. Ou seja, para um tupinambá, um índio botocudo era tão estrangeiro quanto um português. Aliar-se a um ou a outro era uma questão de estratégia.

      Para saber mais:

      Guia politicamente incorreto da História do Brasil, de Leandro Narloch (Editora Leya).

      Texto de Marcel Verrumo para a revista Super Interessante.

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